sábado, 29 de outubro de 2011

Um Dia Triste

     Hoje é um dia triste para este Blog, um dia triste para nossa Colônia, um dia triste para este que vos escreve, um dia de grande infâmia. Infelizmente perdemos a batalha para aqueles que semeiam a desunião, a mesquinharia, a maldade, sem conseguir enxergar o futuro. Passa pelos olhos perplexos o bonde da História. Temos muito a lamentar, não pelo que se ganhou, mas por não entender novamente aquilo que se perdeu.

     Porém, perdeu-se uma batalha, mas não a guerra. Enquanto houver pessoas dispostas a lutar pelas nobres e justas causas haverá esperança de um novo e mais inteligente futuro. A luta continua para todos aqueles que acreditam na mudança pelas vias legítimas e que apesar dos turbulentos tempos não desistiram de tentar.
 
 
Mi Pueblo Se Está Muriendo
José Luis Perales

Silencio! Mi pueblo se esta muriendo...

Silencio, que está mi pueblo muriendo de
soledad, silencio, que está lloviendo y el
viento dormido está en los aleros.

Silencio, que está mi tierra pariendo
espinas y cal, silencio que va la muerte paseando
por mi lugar, y por mis cerros.

Las calles se van cubriendo de musgo verde y de
soledad los nidos de golondrina se van cayendo el
canto del ruiseñor, y el llanto de las
campanas, se quejan, por las mañanas al
despertar.

Silencio, que está mi pueblo reunido para
rezar por esos que se marcharon, por esos que
marcharán, hacia otros campos.

Silencio, que están los viejos sentados
junto al hogar, fumando entre cuento y cuento
dejando el tiempo pasar, su escaso tiempo.

Las puertas y las ventanas se van abriendo de par
en par la hiedra entre sus paredes se va colando,
el perro se duerme al sol; ayer se quedo sin
dueño, y el tiempo dejó su huella en
algún portal.

Silencio que está mi pueblo muriendo de
soledad silencio que está lloviendo y el
viento dormido está en los aleros.

Silencio, que está mi tierra pariendo
espinas y cal, silencio que va la muerte Paseando
por mi lugar y por mis cerros.
 
 
 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Espanha na TV Gazeta

     A Espanha foi tema do programa Manhã Gazeta apresentado por Claudete Troiano na tradicional Rede Gazeta de São Paulo. Foi prestada uma belíssima homenagem mostrando os grandes e monumentais pontos turísticos Espanhóis, os cultivados costumes, a dança Flamenca e a conhecida Gastronomia Mediterrânea.

     Na primeira parte do programa Rafael Gil Gil Filho, este que vos escreve, conselheiro da Sociedade Hispano Brasileira - Casa de España de São Paulo, falou sobre o Caminho de Santiago, as Catedrais Românicas e Góticas, a exuberância das grandes cidades como Madrid e Barcelona e as concorridas praias da Costa Brava, Dourada e del Sol.

     Logo após houve uma impecável apresentação de dança Flamenca do grupo "El Rocio" comandada pela magnífica Profª Iracy Prades, junto as "bailaoras" Simone Gutierrez, Juliana Avó e Renata Nunes, um orgulho para nossa Colônia. Por último o renomado Mestre-Cuca Allan Vila Espejo apresentou deliciosas receitas que deixaram o público e todos os presentes com água na boca.

     Falar um pouquinho sobre a Espanha é sempre uma enorme honra! Mostrar um pouco da Cultura Espanhola ajuda a identificar a semente trazida por todos aqueles que imigraram e que foi plantada na construção do Brasil.


O grupo de dança Flamenca "El Rocio" da Sociedade Hispano Brasileira - Casa de España de São Paulo, com a Profª Iracy Prades, Juliana Avó, Renata Nunes e Simone Gutierrez, no centro o Chef Allan Vila Espejo.

O Profº Lair Ribeiro e Rafael Gil Gil Filho entrevistados logo após o término do Programa.
 
 
A Apresentadora do Manhã Gazeta Claudete Troiano junto ao grupo "El Rocio" ao vivo.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ao amigo Juanito

     Há algumas semanas ocorreram as eleições para o CRE - Conselho de Residentes Espanhóis em São Paulo, deveras importante para ecoar a voz de nossa comunidade junto aos orgãos oficiais da Espanha no Brasil. A chapa que compomos não tinha orçamento disponível para fazer uma grande campanha de divulgação e tivemos que inovar. Julgamos muito importante para o grupo eleger um representante jovem e atuante, pois, renovação não é discurso vazio ou figura de retórica, é ação real e aplicada.

     Sendo assim, recorremos as novas mídias sociais para apresentar nossas ideias e convocar toda a Colônia para comparecer ao Consulado Geral a fim de exercer o sagrado direito à livre manifestação. Embora pouco valorizado por alguns o voto é essencial em qualquer democracia e em vista do passado recente deveria ser encarado quase como uma obrigação moral. Aqueles que tiveram este legítimo direito subtraído entendem o bem valioso e imprescindível que é à construção de uma sociedade justa.

     No dia da eleição em frente ao Consulado encontro a um grande amigo de infância, Juanito, que leu meu comunicado e atendeu prontamente ao chamado. Mesmo distante entendeu a importância do pleito e se apresentou para votar. Desde pequeno sempre foi uma pessoa muito inteligente, leal aos amigos e honesto em sua posições. Tornou-se um requisitado profissional, que nem sempre tem tempo disponível para frequentar as atividades da Colônia, mas devido a tudo que vivemos em comum nos áureos anos deu o seu voto de confiança e participou deste feliz movimento. Mesmo o tempo e a distância não foram capazes de apagar nossa história.

     Neste final de semana, Kely Buján, uma amiga maravilhosa casou-se e na festa pude rever muitos de nossos grandes amigos. Entre eles estava presente Juninho Amor, filho de Marcial Amor que não via a mais de 20 anos. Ficamos um bom tempo relembrando peripécias e travessuras de outrora. Lembrei exatamente da cena que passamos enquanto jogávamos futebol no terraço do clube, quando ele vestido de roupas e boné multicoloridos chutou a bola em mim goleiro e quebrou a vidraça da salinha. Tivemos que correr muito do Sr. Daniel Pellon, então diretor. Rimos demais juntos.

     Há laços que o tempo não apaga. A história de todos que frequentaram a nossa comunidade é marcada pela amizade e companheirismo dos saudosos e inesquecíveis momentos da infância até a vida adulta, são legado positivo desta vivência estes laços verdadeiros que nos definem como Colônia. Os momentos são eternos, ficam para sempre, junto a saudade, a alegria e o privilégio de tê-los vivido.

     Uma Colônia não se faz de falsos líderes arrivistas e traiçoeiros que gostam de aparecer às custas do trabalho da comunidade e que são movidos por espúrios interesses, nem de pseudo-intelectuais arrogantes, presunçosos e prepotentes que se acham monopolistas da verdade, muito menos de oportunistas mentirosos e aproveitadores adeptos da troca de favores e da negociação de vantagens. Uma Colônia se faz de amigos. Um forte abraço ao amigo Juan Enrique Minchón Padial e a todos que participaram de nossa inesquecível história. Y viva los amigos de Andalucia con mucho cachondeo, guasa y salero!


Encenação de "Pesebre" de "Marcelino Merchán" em 1991. Da esquerda para a direita: Paula Villalba, Diego Villalba, Camila Martins, Renata Martins, Leonel Balicas, Roberta Sevilhano, Thais Plaza, Gustavo Martins, Rodrigo Cañedo, Carolina de Paz, Karina Plaza, Tatiana Pellon, Juan Padial, Soraya Padial, Rodrigo Daparte,  Enrique de Paz, Fernando Daparte, Cesar Daparte, Dario Salaño e Rafael Gil Gil.

sábado, 16 de julho de 2011

Em Defesa da Identidade Cultural

     Uma das questões que causa grande preocupação aos participantes da vida cotidiana da Colônia Espanhola de São Paulo é a gradativa perda de identidade cultural dos residentes espanhóis e de seus descendentes.

     Os espanhóis, sejam eles oriundos de anteriores levas migratórias e os atuais expatriados junto a seus descendentes, os Hispano-brasileiros, em grande maioria tem perdido o elo com nossa cultura, não repercutindo nossos costumes, não preservando as nossas línguas, não mantendo nossas tradições e se distanciando cada vez mais dos valores que nos identificam.

     As atuais configurações do mundo moderno, a vida cotidiana atribulada, as novas escalas de prioridade impostas pelas relações econômicas, o comodismo e a falta de entendimento sobre a importância do culto aos valores essenciais na formação do indivíduo e sua consequente participação social podem ser apontadas como algumas das razões que geram esta flagrante perda de identidade.

     Sem esta Identidade cultural, perdemos o sentimento de grupo. Dentro de um grupo reconhecemos os iguais a nós e na vivência da cultura tomamos ciência do nosso saber, assim sem identidade cultural perdemos parte da capacidade de reconhecer a nós mesmos. Somos fatalmente atingidos em nossa personalidade e não vemos condições de participar de uma coletividade que na sua concepção nos apresenta como iguais.

     Os imigrantes espanhóis participaram e muito da aventura da construção desta nação, seja com seus costumes, com seu trabalho, sua cultura e com suas realizações. Não narrar estes fatos é esquecer da semente que plantamos e consequentemente dos tão importantes frutos que nossa cultura deixou como legado de nossa presença.

     Temos um História de luta, de sangue, suor e de muitas lágrimas, que deve ser contada, pois, ela é motivo de orgulho e configura quem somos, o que fizemos e do que somos feitos. Um povo que perde sua identidade, perde seu passado, sua História, seus valores, acaba em si sem entender o presente e não sabe para onde vai no futuro.

     Os Centros Espanhóis tentam com todas as forças manter viva a chama de nossa cultura. Promovem cursos de língua, dão aulas de danças típicas, difundem nossos instrumentos musicais, divulgam nossa gastronomia e organizam encontros para possibilitar a convivência dos oriundos da nossa cultura. Estes espaços por vezes tão inexplicavelmente combatidos guardam em sua História nossa essência, participar deles e de seus eventos e realizações é a forma de individualmente construir nosso futuro, manter nossa identidade cultural.

     Se cada um dos indivíduos de nossa colônia fizer a sua parte e se der conta da importância de manter viva a nossa cultura, participando da coletividade, cultuando os nossos costumes e mantendo as nossas instituições, estará colaborando não só com a construção de uma sociedade pautada por nobres valores, que já seria demasiado louvável, mas também com a formação de cidadãos que por ter aprendido os valores dos quais somos formados serão dignos para escolher os caminhos mais adequados a uma vivência plena e qualificada.