Uma das questões que causa grande preocupação aos participantes da vida cotidiana da Colônia Espanhola de São Paulo é a gradativa perda de identidade cultural dos residentes espanhóis e de seus descendentes.
Os espanhóis, sejam eles oriundos de anteriores levas migratórias e os atuais expatriados junto a seus descendentes, os Hispano-brasileiros, em grande maioria tem perdido o elo com nossa cultura, não repercutindo nossos costumes, não preservando as nossas línguas, não mantendo nossas tradições e se distanciando cada vez mais dos valores que nos identificam.
As atuais configurações do mundo moderno, a vida cotidiana atribulada, as novas escalas de prioridade impostas pelas relações econômicas, o comodismo e a falta de entendimento sobre a importância do culto aos valores essenciais na formação do indivíduo e sua consequente participação social podem ser apontadas como algumas das razões que geram esta flagrante perda de identidade.
Sem esta Identidade cultural, perdemos o sentimento de grupo. Dentro de um grupo reconhecemos os iguais a nós e na vivência da cultura tomamos ciência do nosso saber, assim sem identidade cultural perdemos parte da capacidade de reconhecer a nós mesmos. Somos fatalmente atingidos em nossa personalidade e não vemos condições de participar de uma coletividade que na sua concepção nos apresenta como iguais.
Os imigrantes espanhóis participaram e muito da aventura da construção desta nação, seja com seus costumes, com seu trabalho, sua cultura e com suas realizações. Não narrar estes fatos é esquecer da semente que plantamos e consequentemente dos tão importantes frutos que nossa cultura deixou como legado de nossa presença.
Temos um História de luta, de sangue, suor e de muitas lágrimas, que deve ser contada, pois, ela é motivo de orgulho e configura quem somos, o que fizemos e do que somos feitos. Um povo que perde sua identidade, perde seu passado, sua História, seus valores, acaba em si sem entender o presente e não sabe para onde vai no futuro.
Os Centros Espanhóis tentam com todas as forças manter viva a chama de nossa cultura. Promovem cursos de língua, dão aulas de danças típicas, difundem nossos instrumentos musicais, divulgam nossa gastronomia e organizam encontros para possibilitar a convivência dos oriundos da nossa cultura. Estes espaços por vezes tão inexplicavelmente combatidos guardam em sua História nossa essência, participar deles e de seus eventos e realizações é a forma de individualmente construir nosso futuro, manter nossa identidade cultural.
Se cada um dos indivíduos de nossa colônia fizer a sua parte e se der conta da importância de manter viva a nossa cultura, participando da coletividade, cultuando os nossos costumes e mantendo as nossas instituições, estará colaborando não só com a construção de uma sociedade pautada por nobres valores, que já seria demasiado louvável, mas também com a formação de cidadãos que por ter aprendido os valores dos quais somos formados serão dignos para escolher os caminhos mais adequados a uma vivência plena e qualificada.
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